- PUTA! DIZ-ME QUEM É O PAI DA CRIANÇA!
- JÁ TE DISSE! Eu não sPAFT!
Bate a porta.
Caio sobre os meus joelhos.
Ahn. Uma fria lágrima desce-me pelo rosto.
Em meus lábios, mistura-se com o quente sangue de um golpe aberto.
Ahn. Porquê? Ahn. Como?
Tapo a cara em vergonha enquanto me desmancho em lágrimas.
Como é que isto pode ter acontecido? Não é possível. NÃO É POSSÍVEL!
QUE MERDA! FODA-SE! PORQUE É QUE É SEMPRE ASSIM! SÓ ME APETECE PARTIR ESTA MERDA TODA! Levanto-me e dou um pontapé na merda da mesa. Au! CARALHO! Olho-me para o espelho e vejo ferro e sal, sangue e lágrimas a descer-me pela cara. - PUTA! - grito enraivecida - PUTA! - esmurro o espelho - PUTA! PARVA! CABR... AU!
Olho para a minha mão. O sangue a escorrer dos pedaços de espelho bem cravados.
Corro para a casa de banho, merda tanto sangue. Abro a torneira e meto a minha mão lá de baixo. Ah! O conforto da água fria. Onde pus a pinça? Remexo no meu armário e lá está, ao lado da maquilhagem de noite. Au! Estão mesmo enterrados na carne. Au! Tens de ser forte miúda. Au! Só falta mais este. Au!
Ufa! Já está. Devia por betadine nisto. Onde é que tenho o meu estojo de primeiros socorros? Está debaixo do armário. Não? Deixa-me pensar... Na sala! Vou a correr para lá e encontro. Limpo a ferida e envolvo-a em gaze. Vai deixar marca, mais uma nesta mão cicatrizada.
Sento-me no pufe.
A solidão.
Como é que a minha vida descambou nisto? Sei lá. Se ao menos tivesse acabado o secundário se calhar nunca tinha vindo aqui parar. Eu até gostava da informática e de matemática. Ou então podia ter seguido dança, se ao menos tivesse ficado no ballet quando era míuda! Ou piano! Também gostava de música. Era giro.
Ai o desespero.
Mas não, tinha de ter saído de casa. Parva! O meu pai bem me dizia "Os homens são uns manhosos! Tu tens de ter cuidado! Se não te deixo sair à noite é porque sei bem o que acontece por essa noite fora! Tu tem cuidado!" e eu gritava-lhe sempre "TODAS AS MINHAS AMIGAS VÃO SAIR, PORQUE É QUE EU NÃO POSSO IR? ODEIO-TE!" e ia me trancar no quarto. Ele tinha razão. Ahn. Mais uma lágrima.
Assoo-me e limpo o sangue do lábio.
Foi num desses acessos de fúria que fiz as cicatrizes que tenho na mão. Outras, mais velhas. Que estúpida!
O meu pai é que sabia. Mas também não vou voltar para casa. Não posso! Não assim, grávida. O que é o meu pai iria dizer? Oh que estúpida!
Fogo, era tão bom ser criança. Os amigos, a brincadeira, éramos todos inocentes. Não havia maldade. O ballet, a piscina. Adoro a água fria.
E a mãe? O abraço quente da mãe. Porque é que tinhas de ter partido? Porque é que tinhas de ir para o outro lado? A vida não é justa. Nunca foi.
E eu parva deixei o ballet. Também não podia, custava-me lembrar de ti. Ali, durante a aula, sempre com um sorriso. Eras a mamã da menina, da artista. E eu uma estrela, a mais radiante de todas. Pelo menos para ti. Não, não só para ti, eu era mesmo boa naquilo.
Vou até ao quarto, e puxo uma caixa de cartão que está debaixo da cama, remexo nas coisas e tiro um pequeno par de sabrinas de ballet. É pena não me servirem. Volto a colocá-las dentro da caixa.
No início custou viver sem a mamã, mas o papá era o melhor. Arranjou-me aulas de piano para não pensar mais no ballet. Agora que penso nisso, foi um querido. Era giro brincar com o piano em casa.
Ele sempre me ensinou tudo o que eu queria saber e sempre me deixou fazer tudo o que queria, desde que fosse em casa. Quando era miudita estava tudo bem, os meus amigos iam sempre lá visitar-me e até era porreiro porque tínhamos tantas coisas divertidas para fazer. O trampolim, a piscina de bolas, os brinquedos, as barbies e as casas. E no verão a piscina. Como eu amava nadar.
Tinha sempre a casa cheia. Não havia espaço para a solidão. Com 11, 12 anos o meu pai não me deixava sair a noite, mas não tinha mal. Fazíamos as festas lá em casa e eram as melhores festas do mundo.
Até que cresci. E os meus amigos começaram a deixar de ir a minha casa a noite. Preferiam sair. Ir para o bar, fumar e beber cerveja, com a mania que eram crescidos.
O meu pai sempre me disse que não precisava dessas coisas para ser grande, mas os meus amigos diziam que era uma míuda. E depois começaram a chamar-me menina do paizinho. Parvos.
Foi assim que me comecei a chatear com o meu pai. Ao princípio ficava só triste por não sair e por ser gozada, mas depressa percebi que o problema era o meu pai. Afinal de contas, se todos podiam sair porque é que eu tinha de ficar em casa?
Parvo! Bem que me podia ter deixado sair. E daí se calhar ele só me fazia era bem, afinal estou fora nem há um ano e fiquei neste estado. Que merda!
A minha vida é uma merda.
Na escola sempre me dei bem com os professores, afinal de contas era estudiosa e o meu pai sempre me ensinou as coisas de engenharia lá dele. Adorava mexer no computador com os programas de 3D dele. Olho para a minha pulseira. Fí-la lá, com ele. Desenhamos a pulseira e depois ele mandou fazê-la. É mesmo bonita. Tenho saudades tuas pai. Se ao menos pudesse voltar para ao pé de ti. Se ao menos me pudesses ajudar.
Nem quero imaginar o que ias fazer e dizer se me visses assim. Nem consigo imaginar o que as pessoas dirão e pensarão de mim quando virem que estou grávida.
Que merda.
E depois chegou o 11º ano. Estava completamente farta do meu pai, de ele ser tão controlador. E da escola, cada vez era mais gozada.
O final do terceiro ciclo e o início do secundário foram a pior altura da minha vida. Passei da miúda mais popular com as festas fixes para a "menininha do papá". Passei da miúda que era bué esperta e que sabia tudo para a graxista que lambe as botas dos professores. Amigos de merda.
Odiava a vida.
Tive de sair.
Fugir de tudo antes que decidisse por um fim a tudo isto.
E para quê? Mais valia ter posto um fim a tudo isto.
Vou até à casa de banho e tapo o ralo da banheira. Abro a torneira da água fria.
Começo a despir-me.
E depois de ter saído de casa? Não foi nem ainda há nem um ano. O meu pai procurou-me e procurou-me bem. Tive de fugir para longe. Foi assim que vim parar ao Porto. Sabia que ele ia procurar pela Nazaré e depois por Leiria. Até pode mesmo ter ido até Lisboa e se calhar até já esteve aqui no Porto. Mas duvido. Escolhi o Porto porque sei que é rebuscado. Sei que não seria nem a minha primeira escolha, nem a dele.
Vivi das minhas poupanças e de um part-time que arranjei. Dava para sobreviver. E a vida à noite? Que coisa louca. Beber, fumar, ressacar. Nunca me senti tão viva. E tão morta.
Desligo a torneira e deito-me na fria banheira. O conforto de um banho frio. O conforto da água fria. Deixo-me estar um pouco na água.
Mergulho a cabeça.
Há quatro meses atrás, numa dessas noites, depois de tantos copos, pagos e oferecidos tive um black out. Não me lembro do que aconteceu. Acordei nas traseiras de um bar. Como não estava mal nem com marcas, só com uma grande ressaca, decidi ir para casa. Afinal, ir ao hospital podia ser mais uma maneira de o meu pai me descobrir.
Agora não importa. Sou a Maria da Nazaré, 18 anos, mãe de imaculada conceição. Sou a virgem Maria do século XXI e quando o ar se acabar nos meus pulmões, hei de manter a minha virgindade perpétua.
Saturday, March 6, 2010
Saturday, November 28, 2009
Ele disse
Ele disse, "Amo-te".
Ela respondeu, "Eu também".
Se ao menos o seu namorado soubesse.
Bato à porta, nada. A vizinha do lado vem à janela, olha para mim com um olhar estranho. Quase condescendente. Bato à porta, uma voz do outro lado "Quem é?". Ao jeito da cumplicidade que o tempo nos deu, digo só "Sou eu". Oiço o som do trinco a soltar-se enquanto olho para o relógio, já é tarde. Sempre o mesmo tick-tack, malditos swatch e a sua precisão. A sua sempre enervante batida mais lenta que a batida do coração. Ou então não, pois não bate mais meu coração ao ritmo do teu. "Que se passa?", uhm? Olho para ela, "Nada."
Cheguei um pouco antes das quatro, em jeito de surpresa.
-Entra. - disse ela com aquele olhar apaixonado.
Olhei para um lado e para o outro, não vi ninguém e antes que ela desse conta estávamos de lábios colados.
Puxou-nos para dentro, fechou a porta e disse-me, sempre com um sorriso nos lábios.
- ÉS LOUCO? Sabes bem como são as minhas vizinhas! - disse entre sorrisos.
Peguei-lhe pela cintura.
- Por ti, sabes bem que sim.
Ela tentou fugir um pouco para trás, sempre, sempre com os lábios em arco, sorriso rasgado e a pequena ruga no canto do olho de seu sorriso verdadeiro. Envolvi-a num quente e doce abraço. Quando a levantei um pouco do chão berrou:
- PARA! RUI! Paaaaaa... - desmancha-se em risinhos - Para!
Atirei-a com jeito para o sofá. Gostei da cara que fez, daquele rosto belo e delicado.
Sento-me do seu lado. É engraçado as analogias que a nossa mente por vezes faz. À medida que me enterro na almofada sinto que me afundo ainda mais nos problemas do meu dia. Que esta visita é só uma fuga. A minha única fuga. Ainda bem que a tenho do meu lado.
Ela respondeu, "Eu também".
Se ao menos o seu namorado soubesse.
Bato à porta, nada. A vizinha do lado vem à janela, olha para mim com um olhar estranho. Quase condescendente. Bato à porta, uma voz do outro lado "Quem é?". Ao jeito da cumplicidade que o tempo nos deu, digo só "Sou eu". Oiço o som do trinco a soltar-se enquanto olho para o relógio, já é tarde. Sempre o mesmo tick-tack, malditos swatch e a sua precisão. A sua sempre enervante batida mais lenta que a batida do coração. Ou então não, pois não bate mais meu coração ao ritmo do teu. "Que se passa?", uhm? Olho para ela, "Nada."
Cheguei um pouco antes das quatro, em jeito de surpresa.
-Entra. - disse ela com aquele olhar apaixonado.
Olhei para um lado e para o outro, não vi ninguém e antes que ela desse conta estávamos de lábios colados.
Puxou-nos para dentro, fechou a porta e disse-me, sempre com um sorriso nos lábios.
- ÉS LOUCO? Sabes bem como são as minhas vizinhas! - disse entre sorrisos.
Peguei-lhe pela cintura.
- Por ti, sabes bem que sim.
Ela tentou fugir um pouco para trás, sempre, sempre com os lábios em arco, sorriso rasgado e a pequena ruga no canto do olho de seu sorriso verdadeiro. Envolvi-a num quente e doce abraço. Quando a levantei um pouco do chão berrou:
- PARA! RUI! Paaaaaa... - desmancha-se em risinhos - Para!
Atirei-a com jeito para o sofá. Gostei da cara que fez, daquele rosto belo e delicado.
Sento-me do seu lado. É engraçado as analogias que a nossa mente por vezes faz. À medida que me enterro na almofada sinto que me afundo ainda mais nos problemas do meu dia. Que esta visita é só uma fuga. A minha única fuga. Ainda bem que a tenho do meu lado.
Tenho andado um pouco fora de mim, sempre ocupado. Acho que ela notou, se calhar devia pedir-lhe desculpas por andar tão ausente. Quem me dera ter mais tempo para estar com ela.
É horrível quando o cérebro embirra com algo, agora não consigo deixar de notar na mesa que está um pouco torta. Endireito-a. Quem me dera algo para descarregar este peso da mente.
Senti-me nervoso do seu lado. Sinto-me sempre. Ainda hoje, tanto tempo depois de a ter conhecido.
Devagarinho toquei-lhe no rosto.
- Estás nervoso?
- Um pouco. Deixas-me assim. – pisquei-lhe o olho.
É horrível quando o cérebro embirra com algo, agora não consigo deixar de notar na mesa que está um pouco torta. Endireito-a. Quem me dera algo para descarregar este peso da mente.
Senti-me nervoso do seu lado. Sinto-me sempre. Ainda hoje, tanto tempo depois de a ter conhecido.
Devagarinho toquei-lhe no rosto.
- Estás nervoso?
- Um pouco. Deixas-me assim. – pisquei-lhe o olho.
- És tão piroso! Nem sei porque gosto de ti.
Rimo-nos.
Estava feliz. Gostei de a ver assim.
Passei-lhe a mão pelo cabelo e enterrei os meus dedos, fazendo-lhe festinhas na nuca. Beijamo-nos. A minha mão deslizou pelo seu corpo fora. Passei-a pelo decote e apalpei-lhe um seio. Dei por mim envolto nela, desapertei-lhe o soutien.
- Rui! Porque me abriste o soutien?
- Até parece que não sabes...
Riu-se.
Atirei-me a ela e caímos os dois do sofá.
Tirou-me a t-shirt. Puxei-lhe a saia.
Levantei um pouco o top que ela tinha vestido e beijei-a no mamilo. Desci lentamente pela sua lisa barriguinha com os lábios. Beijando a pele, beijando o umbigo, beijando o monte de Vénus.
Começou a gemer.
Beijei-a na virilha.
- Vais continuar a provocar-me?
Deixo de a provocar. Ela perde o controlo, dá um encontrão com a perna da mesa.
- Estás bem? - perguntei-lhe preocupado.
- Cala-te e fode-me...
Adoro quando somos assim no sexo, não a deixei esperar nem mais um minuto.
"Estou feliz por estar aqui". Nem me ouve.
Dissemos asneiras, dissemos coisas belas. Nem ligámos mais às palavras. Disse coisas como:
- Gosto de ti! - ou - És a melhor.
Ela respondeu:
- Estou a ficar louca. - ou - Não pares.
Acabamos os dois. Os nossos corpos suados, envoltos um no outro. Deixamo-nos estar um pouco abraçados.
Disse-lhe:
- Amo-te.
Ela respondeu:
- Eu também Rui.
Nesse momento tive a certeza que somos as duas pessoas mais felizes do mundo.
Estivemos um pouco mais neste jogo até que ela reparou nas horas.
Estava feliz. Gostei de a ver assim.
Passei-lhe a mão pelo cabelo e enterrei os meus dedos, fazendo-lhe festinhas na nuca. Beijamo-nos. A minha mão deslizou pelo seu corpo fora. Passei-a pelo decote e apalpei-lhe um seio. Dei por mim envolto nela, desapertei-lhe o soutien.
- Rui! Porque me abriste o soutien?
- Até parece que não sabes...
Riu-se.
Atirei-me a ela e caímos os dois do sofá.
Tirou-me a t-shirt. Puxei-lhe a saia.
Levantei um pouco o top que ela tinha vestido e beijei-a no mamilo. Desci lentamente pela sua lisa barriguinha com os lábios. Beijando a pele, beijando o umbigo, beijando o monte de Vénus.
Começou a gemer.
Beijei-a na virilha.
- Vais continuar a provocar-me?
Deixo de a provocar. Ela perde o controlo, dá um encontrão com a perna da mesa.
- Estás bem? - perguntei-lhe preocupado.
- Cala-te e fode-me...
Adoro quando somos assim no sexo, não a deixei esperar nem mais um minuto.
"Estou feliz por estar aqui". Nem me ouve.
Dissemos asneiras, dissemos coisas belas. Nem ligámos mais às palavras. Disse coisas como:
- Gosto de ti! - ou - És a melhor.
Ela respondeu:
- Estou a ficar louca. - ou - Não pares.
Acabamos os dois. Os nossos corpos suados, envoltos um no outro. Deixamo-nos estar um pouco abraçados.
Disse-lhe:
- Amo-te.
Ela respondeu:
- Eu também Rui.
Nesse momento tive a certeza que somos as duas pessoas mais felizes do mundo.
Estivemos um pouco mais neste jogo até que ela reparou nas horas.
- Já passam das seis. Devias ir embora.
- Já vou, já vou. – disse espreguiçando-me lentamente.
- Vá, vá! Sabes que começo a stressar e depois quem é que me atura? – riu-se.
Levantei-me e comecei a vestir-me. Vesti a t-shirt e as calças. Pus as meias e as sapatilhas. Olho para os meus pés, tenho o atacador do sapato desatado. Ato-o.
Levanto-me e digo "Tenho de ir". Ela responde como sempre.
- Já vais Rui?
- É melhor, como tu própria disseste já passam das seis.
Fui até à porta e ela veio atrás de mim. Sei que ela não queria que eu fosse. Também não queria partir. Queria ficar com ela para sempre. Quero ficar com ela para sempre. Chegou ao pé de mim e beijámo-nos uma vez mais.
- O que fazes logo? - perguntei.
- Ainda não sei, tens alguma ideia? - começou a rir-se. Ri-me também. Gostamos os dois destes risinhos cúmplices.
- Podíamos sair logo.
- Ok, vou só tomar um banho, por me bonita para ti. - piscou-me o olho.
- Quem é piroso agora?
- Cala-te! – deu-me um empurrãozinho, ia caindo nas escadas.
-Bom, vou indo. Amo-te.
-Eu também.
-Bom, vou indo. Amo-te.
-Eu também.
A porta fechou-se à minha frente. Olhei para o céu, estava estrelado. Foi um bom dia. Olhei para a esquerda, mesmo a tempo de ver a nesga de luz entre as cortinas da vizinha desaparecer.
Antes de sair, olho uma vez mais para ela, tem o cabelo molhado e está bem aperaltada. Digo "Amo-te". Nenhuma resposta do corredor que deixo para trás desta porta. Foi um dia mau.
Antes de sair, olho uma vez mais para ela, tem o cabelo molhado e está bem aperaltada. Digo "Amo-te". Nenhuma resposta do corredor que deixo para trás desta porta. Foi um dia mau.
Quem me dera ter o tempo para estar com ela, deve estar zangada comigo por estarmos tão pouco tempo juntos. Nem temos tempo para nada. Afinal de contas quando olhei para o relógio antes de entrar já eram oito. São agora oito e vinte, nem meia hora tive para estar com ela. É difícil ser-se Pedro. É difícil ser-se eu.
“Ele disse, "Amo-te".
Ela respondeu, "Eu também".
Se ao menos o Pedro soubesse.”
Ela respondeu, "Eu também".
Se ao menos o Pedro soubesse.”
Thursday, July 16, 2009
O cinema e o Teatro em Portugal
A vida é um belo filme. Se ao menos os argumentistas se apercebessem disso.
Não, não digo que não o saibam, é tão lugar comum dizer que a vida dava um belo filme, estou certo de que já toda a gente ouviu isso.
Não é disso que falo, falo sim de perceberem. Aliás, engano-me ao usar a palavra perceberem, quero mesmo dizer percepcionarem.
Quantas pessoas que lêem estas palavras já perceberam que a sua vida dava um belo filme? Talvez dúzia e meia, mas as que o percepcionaram? Talvez duas.
Nesta nossa sociedade, estou certo que todo e qualquer escritor (seja escritor de romance, argumentista ou até repórter de revista cor-de-rosa) já teve um pouco de formação de escrita e o problema é mesmo esse. Não é o problema, mas está em parte na causa.
O problema prende-se com o intuito da estrutura. Ora vejamos, é ponto assente que o escritor deve saber escrever (salvo algumas excepções e a Margarida Rebelo Pinto). É certo e sabido que a melhor maneira de saber é aprendendo. E uma boa maneira de aprender, é estudar os que sabem.
Penso que não disse nenhuma mentira nestas últimas três frases, mas é preciso que se note que também só disse meias verdades. Estudar os outros não é a única (nem tão pouco a melhor) maneira de aprender e muito menos a de criar. Deixemos as cópias para o jovem pintor da Rua Augusta, porque o verdadeiro artista é aquele que cria.
O artista, o engenheiro, o cientista, o cineasta, etc.
Sem dúvida que não estou a acusar todo e qualquer profissional de ser como um monge copista, mas sem dúvida que todos eles usam parte dos ensinamentos que lhe foram dados ou adquiridos pelo estudo de outrem e como diz Oscar Wilde pela voz de Lord Henry "Porque exercer a nossa influência sobre alguém é darmos a própria alma. Esse alguém deixa de pensar com os pensamentos que lhe são inerente, ou de se inflamar com as suas próprias paixões".
Toda esta filosofia despegada abateu-se sobre mim ao ver um excerto do filme "Os imortais" de António Pedro Vasconcelos, em que um qualquer personagem secundário fazia um comentário sobre um detective aparecer na TV.
Não que o comentário fosse desapropriado, simplesmente não foi natural. O comentário em si estaria correcto no papel, ficaria bonito se se tratasse de um policial ou romance de capa dura, mas num filme no qual se retrata a sociedade Portuguesa está bruscamente descontextualizado.
Não era uma frase que fosse dita por um Português, muito menos naquele ambiente social.
Acho que este é um problema que se vê sobejamente no mundo das artes, em que o artista usa uma estrutura com base nos seus ensinamentos para criar algo de totalmente novo. Quando o seu saber não deixa que o que quer transmitir se encaixe nos seus moldes, criam-se espaços vazios, ocos.
Verdadeiras falhas.
Mas não pensem que isto se remete só ao mundo das artes, olhemos então para o mundo da engenharia em que James Dyson foi enaltecido pela News Scientist por ser um "inventor à moda dos irmãos Wright".
Diz ele que ""It was the Wrights who really showed us how to develop technology. They broke the problem down into individual components that they then solved brilliantly".
Os irmãos Wright pegaram no problema e não usaram o que sabiam para o resolver, mas usaram sim o que sabiam do problema para o resolver a si mesmo. Exploraram e aprenderam da melhor maneira, com a realidade.
O mesmo se passou com Dyson que ao invês de pegar em componentes mecânicos e electrónicos para desenvolver o seu produto, desenvolveu esses mesmos componentes para fazer o seu produto.
O mesmo se deve passar em todas as áreas.
Sem dúvida que o saber acumulado dos outros é importante, mas no processo criativo (seja artistico ou não) devemos ser nós e o mundo. O saber deve ser contruído sobre estes dois, já que o mundo não tem na sua agenda mudar a sua maneira de ser só pelo capricho do homem.
A gravidade continua-me a "puxar para baixo", não me vejo a voar tão cedo, tal como os diálogos de romance continuam a ser ditos por personagens de romance e não por um qualquer dono de um café.
Devemos procurar perceber o mundo por aquilo que ele é (percepcionar o mundo) e não por aquilo que pensamos (ou pior, que outros pensam) que é.
Não, não digo que não o saibam, é tão lugar comum dizer que a vida dava um belo filme, estou certo de que já toda a gente ouviu isso.
Não é disso que falo, falo sim de perceberem. Aliás, engano-me ao usar a palavra perceberem, quero mesmo dizer percepcionarem.
Quantas pessoas que lêem estas palavras já perceberam que a sua vida dava um belo filme? Talvez dúzia e meia, mas as que o percepcionaram? Talvez duas.
Nesta nossa sociedade, estou certo que todo e qualquer escritor (seja escritor de romance, argumentista ou até repórter de revista cor-de-rosa) já teve um pouco de formação de escrita e o problema é mesmo esse. Não é o problema, mas está em parte na causa.
O problema prende-se com o intuito da estrutura. Ora vejamos, é ponto assente que o escritor deve saber escrever (salvo algumas excepções e a Margarida Rebelo Pinto). É certo e sabido que a melhor maneira de saber é aprendendo. E uma boa maneira de aprender, é estudar os que sabem.
Penso que não disse nenhuma mentira nestas últimas três frases, mas é preciso que se note que também só disse meias verdades. Estudar os outros não é a única (nem tão pouco a melhor) maneira de aprender e muito menos a de criar. Deixemos as cópias para o jovem pintor da Rua Augusta, porque o verdadeiro artista é aquele que cria.
O artista, o engenheiro, o cientista, o cineasta, etc.
Sem dúvida que não estou a acusar todo e qualquer profissional de ser como um monge copista, mas sem dúvida que todos eles usam parte dos ensinamentos que lhe foram dados ou adquiridos pelo estudo de outrem e como diz Oscar Wilde pela voz de Lord Henry "Porque exercer a nossa influência sobre alguém é darmos a própria alma. Esse alguém deixa de pensar com os pensamentos que lhe são inerente, ou de se inflamar com as suas próprias paixões".
Toda esta filosofia despegada abateu-se sobre mim ao ver um excerto do filme "Os imortais" de António Pedro Vasconcelos, em que um qualquer personagem secundário fazia um comentário sobre um detective aparecer na TV.
Não que o comentário fosse desapropriado, simplesmente não foi natural. O comentário em si estaria correcto no papel, ficaria bonito se se tratasse de um policial ou romance de capa dura, mas num filme no qual se retrata a sociedade Portuguesa está bruscamente descontextualizado.
Não era uma frase que fosse dita por um Português, muito menos naquele ambiente social.
Acho que este é um problema que se vê sobejamente no mundo das artes, em que o artista usa uma estrutura com base nos seus ensinamentos para criar algo de totalmente novo. Quando o seu saber não deixa que o que quer transmitir se encaixe nos seus moldes, criam-se espaços vazios, ocos.
Verdadeiras falhas.
Mas não pensem que isto se remete só ao mundo das artes, olhemos então para o mundo da engenharia em que James Dyson foi enaltecido pela News Scientist por ser um "inventor à moda dos irmãos Wright".
Diz ele que ""It was the Wrights who really showed us how to develop technology. They broke the problem down into individual components that they then solved brilliantly".
Os irmãos Wright pegaram no problema e não usaram o que sabiam para o resolver, mas usaram sim o que sabiam do problema para o resolver a si mesmo. Exploraram e aprenderam da melhor maneira, com a realidade.
O mesmo se passou com Dyson que ao invês de pegar em componentes mecânicos e electrónicos para desenvolver o seu produto, desenvolveu esses mesmos componentes para fazer o seu produto.
O mesmo se deve passar em todas as áreas.
Sem dúvida que o saber acumulado dos outros é importante, mas no processo criativo (seja artistico ou não) devemos ser nós e o mundo. O saber deve ser contruído sobre estes dois, já que o mundo não tem na sua agenda mudar a sua maneira de ser só pelo capricho do homem.
A gravidade continua-me a "puxar para baixo", não me vejo a voar tão cedo, tal como os diálogos de romance continuam a ser ditos por personagens de romance e não por um qualquer dono de um café.
Devemos procurar perceber o mundo por aquilo que ele é (percepcionar o mundo) e não por aquilo que pensamos (ou pior, que outros pensam) que é.
Wednesday, June 20, 2007
Um pouco de algo, uma parte de vida
Farto de palavras tão desprovidas de significado como a própria vida, hoje espero poder escrever algo.
Ainda que a vida seja desprovida de qualquer significado, não o são as vivências de cada um e é entre gestos e palavras que o mundo passa de um mero amontoado de reacções químicas para um fruto de reflexão que nos preenche, a nós próprios e a todos os que delas partilham, de palavras, objectos, acontecimentos que no final de contas dão em eventos, memórias e até em toda uma vida.
"olá! nome? idade? ddtc?" Um gesto que esteve tão na moda de todos os utilizadores do dito IRC, era quase como que um ritual, por vezes desprovido de qualquer significado, simplesmente feito por rotina. Para muitos o poderá ter sido, até mesmo para o "Pedro" (chamo-lhe Pedro, tal como o poderia chamar de "João", "Guilherme", "Rodolfo", ...) o terá sido por várias vezes, mas não naquela noite, não no seguimento da conversa.
Contou-me ele tantas vezes esta história que ainda hoje me rio só de pensar como uma só pessoa pode mudar toda uma vida.
(21:53)- Lanc3lot_ - Oi!
(21:53)- Sexi___simbol - olá! nome? idade? ddtc?
(21:54)- Lanc3lot_ - rui 22 lx tu?
(21:55)- Sexi___simbol - lx onde?
(21:55)- Lanc3lot_ - parque das nações, nome? idade? ddtc?
(21:55)- Sexi___simbol - para que queres saber?
(21:56)- Lanc3lot_ - pq estou a falar contigo
(21:56)- Lanc3lot_ - é o mínimo
(21:56)- Lanc3lot_ - que me podes dizer
(21:58)- Sexi___simbol - Raquel, 21, tb d lx
(21:58)- Sexi___simbol - tens foto?
. . .
(01:14)- Sexi___simbol - lol
(01:14)- Lanc3lot_ - xau *****************************************
(01:15)- Sexi___simbol - já vais? agora que eu estava a gostar de falar ctg
(01:15)- Lanc3lot_ - amanha tenho de acordar cedo, tem mesmo que ser
E como esta houve tantas outras conversas… Tantas que mais tarde e mais cedo levaram a que “Rui” e “Raquel marcassem um encontro.
Encontros na vida real não são como encontros na net e como tal só posso acreditar nas palavras de “Pedro” (até então “Rui”, aos olhos de “Raquel”), já que para a vida real não há logs como no IRC. Mas deixando de divagar e voltando à vida do “Pedro”.
Marcaram um cinema, no Vasco da Gama e ainda que já na altura se falasse nos perigos dos encontros através da net, eles decidiram encontrar-se sozinhos. Lá estava ele, “Pedro”, ou “Rui” para a “Raquel”, de jeans de uma qualquer dessas marcas comerciais, num tom de ganga escura, com uma qualquer t-shirt da marca da moda assente sobre seu corpo, revelando o bronze que denunciava uma ida à praia ainda antes de o Verão começar. O cheiro fresco a perfume e desodorizante denunciavam a atenção especial que dedicou a si mesmo só para lhe agradar. A ela, Raquel
E ela lá apareceu, já o filme tinha começado e estava ele junto da porta do cinema lusomundo, esperando por ela, quando viu alguém olhar na sua direcção, perdida à procura de alguém. “Não podia ser ela, ou se calhar até podia…” pensou para si, e o coração disparou, não fossem aqueles cabelos ruivos fogo queimando seus olhos, contrastando em tudo com o olhar verde e exótico que assentou sobre o seu, aquele sorriso que se formou na cara em que anteriormente se deparava a dúvida de quem procura alguém, de quem se encontra perdida. Agora achada. Tinha de ser ela.
E era.
Chegou-se junto dele, cada segundo gravado a fogo em sua mente, em seu coração.
- Rui?
Ainda atónito e meio gaguejando, conseguiu forçar a sua voz a dizer “És a Raquel?”
- Sim. – aquele sorriso rasgado em sua cara, belo, belo, belo - Não tinhas 22 anos?
- Bem, na verdade tenho 17 e chamo-me Pedro, mas de certo que também não te chamas Raquel! – desculpou-se rindo.
- Por acaso não, mas tenho mesmo 21. Não iamos ver o filme?
- Ah sim, o filme, já começou. Queres ir na mesma?
- Claro, viemos ao cinema. É esse o plano, certo?
- Yah, yah… Mas sei lá, podias ter mudado de ideias.
- Vá, vamos lá ao cinema, já falamos melhor.
E usando as palavras do próprio “Quando senti a mão dela tocar na minha, arrastando-me pelo cinema adentro, soube que era levado por um anjo”, um anjo que sem nome o arrastava para um sala de cinema escura. E numa sala de cinema escura deram o primeiro beijo. E o segundo. E tantos mais que tanto Pedro como Raquel não sabem que filme viram.
Quando saíram, saíram de mãos dadas, com um cúmplice olhar, nos olhos de Pedro podia-se ver o brilho de um amante perdido em algo mais do que nada. Nos olhos dela podiam-se ver olhos verdes e exóticos.
- Desculpa… Mas, como te chamas mesmo? – perguntou o Pedro a medo, afinal de contas não se ama quem não tem nome.
- “Ana” (uma vez mais Ana poderia ser Joana ou Tânia ou qualquer outro nome).
Ainda que a vida seja desprovida de qualquer significado, não o são as vivências de cada um e é entre gestos e palavras que o mundo passa de um mero amontoado de reacções químicas para um fruto de reflexão que nos preenche, a nós próprios e a todos os que delas partilham, de palavras, objectos, acontecimentos que no final de contas dão em eventos, memórias e até em toda uma vida.
"olá! nome? idade? ddtc?" Um gesto que esteve tão na moda de todos os utilizadores do dito IRC, era quase como que um ritual, por vezes desprovido de qualquer significado, simplesmente feito por rotina. Para muitos o poderá ter sido, até mesmo para o "Pedro" (chamo-lhe Pedro, tal como o poderia chamar de "João", "Guilherme", "Rodolfo", ...) o terá sido por várias vezes, mas não naquela noite, não no seguimento da conversa.
Contou-me ele tantas vezes esta história que ainda hoje me rio só de pensar como uma só pessoa pode mudar toda uma vida.
(21:53)- Lanc3lot_ - Oi!
(21:53)- Sexi___simbol - olá! nome? idade? ddtc?
(21:54)- Lanc3lot_ - rui 22 lx tu?
(21:55)- Sexi___simbol - lx onde?
(21:55)- Lanc3lot_ - parque das nações, nome? idade? ddtc?
(21:55)- Sexi___simbol - para que queres saber?
(21:56)- Lanc3lot_ - pq estou a falar contigo
(21:56)- Lanc3lot_ - é o mínimo
(21:56)- Lanc3lot_ - que me podes dizer
(21:58)- Sexi___simbol - Raquel, 21, tb d lx
(21:58)- Sexi___simbol - tens foto?
. . .
(01:14)- Sexi___simbol - lol
(01:14)- Lanc3lot_ - xau *****************************************
(01:15)- Sexi___simbol - já vais? agora que eu estava a gostar de falar ctg
(01:15)- Lanc3lot_ - amanha tenho de acordar cedo, tem mesmo que ser
E como esta houve tantas outras conversas… Tantas que mais tarde e mais cedo levaram a que “Rui” e “Raquel marcassem um encontro.
Encontros na vida real não são como encontros na net e como tal só posso acreditar nas palavras de “Pedro” (até então “Rui”, aos olhos de “Raquel”), já que para a vida real não há logs como no IRC. Mas deixando de divagar e voltando à vida do “Pedro”.
Marcaram um cinema, no Vasco da Gama e ainda que já na altura se falasse nos perigos dos encontros através da net, eles decidiram encontrar-se sozinhos. Lá estava ele, “Pedro”, ou “Rui” para a “Raquel”, de jeans de uma qualquer dessas marcas comerciais, num tom de ganga escura, com uma qualquer t-shirt da marca da moda assente sobre seu corpo, revelando o bronze que denunciava uma ida à praia ainda antes de o Verão começar. O cheiro fresco a perfume e desodorizante denunciavam a atenção especial que dedicou a si mesmo só para lhe agradar. A ela, Raquel
E ela lá apareceu, já o filme tinha começado e estava ele junto da porta do cinema lusomundo, esperando por ela, quando viu alguém olhar na sua direcção, perdida à procura de alguém. “Não podia ser ela, ou se calhar até podia…” pensou para si, e o coração disparou, não fossem aqueles cabelos ruivos fogo queimando seus olhos, contrastando em tudo com o olhar verde e exótico que assentou sobre o seu, aquele sorriso que se formou na cara em que anteriormente se deparava a dúvida de quem procura alguém, de quem se encontra perdida. Agora achada. Tinha de ser ela.
E era.
Chegou-se junto dele, cada segundo gravado a fogo em sua mente, em seu coração.
- Rui?
Ainda atónito e meio gaguejando, conseguiu forçar a sua voz a dizer “És a Raquel?”
- Sim. – aquele sorriso rasgado em sua cara, belo, belo, belo - Não tinhas 22 anos?
- Bem, na verdade tenho 17 e chamo-me Pedro, mas de certo que também não te chamas Raquel! – desculpou-se rindo.
- Por acaso não, mas tenho mesmo 21. Não iamos ver o filme?
- Ah sim, o filme, já começou. Queres ir na mesma?
- Claro, viemos ao cinema. É esse o plano, certo?
- Yah, yah… Mas sei lá, podias ter mudado de ideias.
- Vá, vamos lá ao cinema, já falamos melhor.
E usando as palavras do próprio “Quando senti a mão dela tocar na minha, arrastando-me pelo cinema adentro, soube que era levado por um anjo”, um anjo que sem nome o arrastava para um sala de cinema escura. E numa sala de cinema escura deram o primeiro beijo. E o segundo. E tantos mais que tanto Pedro como Raquel não sabem que filme viram.
Quando saíram, saíram de mãos dadas, com um cúmplice olhar, nos olhos de Pedro podia-se ver o brilho de um amante perdido em algo mais do que nada. Nos olhos dela podiam-se ver olhos verdes e exóticos.
- Desculpa… Mas, como te chamas mesmo? – perguntou o Pedro a medo, afinal de contas não se ama quem não tem nome.
- “Ana” (uma vez mais Ana poderia ser Joana ou Tânia ou qualquer outro nome).
E assim Pedro amou Ana.
E assim Pedro confiou em Ana.
E assim Ana mostrou a Pedro que a vida é muito mais do que o que ele jamais sonhara. Fê-lo feliz como jamais outra qualquer o tinha feito. Fê-lo subir aos sete céus.
E então a queda foi grande.
Pedro descobriu da pior maneira que Ana não lhe era fiel. Não só não lhe era fiel como não lhe fora honesta desde o inicio.
- És uma puta! – um grito solto no ar.
- Cala-te! Vê-se percebes! É a única maneira de poder pagar os estudos! Sou uma acompanhante de luxo!
- Sim! Uma puta! E eu sou o quê? Um futuro cliente? Um investimento a longo prazo? Foda-se! És ridícula!
- Não! Tu és o Pedro, o Pedro de quem tanto gosto, que me acaricia e que gosta de mim como sou. – entre soluços e lágrimas.
- Gostas? Gosto? Eu amo-te Ana! Mas isto? Isto é demais para mim! Jamais hei de conseguir viver com isto, vê se compreendes!
- Mas é como decidi viver a vida! É como a vou viver! E não vais ser tu nem ninguém a mudar isso!
- Meu Deus! Ana, eu quero muito poder estar contigo e poder amar-te… Mas sabendo que vais estar nos braços de outro homem assim que saíres de ao pé de mim? Saber que esse teu corpo é de outro homem por um preço? Não consigo, simplesmente não consigo.
- Tu não me compreendes Pedro, é a vida que eu decidi tomar, é a minha maneira de pagar os estudos, de poder fazer a minha vida! Desde cedo tive de fazer sacrifícios para poder fazer a minha vida. Eu não tenho pai nem mãe, sim, tenho uma avó que me dá casa, mas não mais que isso.
- Ana! Eu simplesmente não consigo… Ou és tu ou sou eu! Ou seguimos a nossa vida e me respeitas ou então segue a tua vida!
- Está bem Pedro… Está bem… Adeus…
- Adeus? Foda-se! Vai-te embora então sua puta! Fode-te! Tu e todos os teus clientes! Vão todos para o inferno!
É assim a vida, feita de escolhas, escolhas que fazemos por nós e pelos outros. E a verdade é que por vezes damos passos em falso e não temos a humildade para reconhecer que o que fizemos foi errado. Ainda hoje o “Pedro” me diz que se fosse hoje tinha compreendido, ainda hoje amigos do “Pedro” me dizem que a “Ana” foi uma puta e que devia ter pensado neles e não só nela quando começou aquele namoro.
Ainda hoje a vida contínua e a história do “Pedro” continua. Com ou sem “Ana”.
Antes de me despedir dos meus leitores, queria só agradecer ao “Pedro” por me disponibilizar os logs do IRC e por me deixar partilhar um pouco da história dele. Queria também avisar desde já que todos os nomes e nicknames usados neste texto são fictícios. Peço ainda desculpa a todos os leitores que acharam este texto deveras entediante e mais desculpa ainda a todos os que gostaram, pois muito mais poderia ter sido dito sobre a história do “Pedro” e da “Ana” e muito mais ainda há de ser dito.
E assim Ana mostrou a Pedro que a vida é muito mais do que o que ele jamais sonhara. Fê-lo feliz como jamais outra qualquer o tinha feito. Fê-lo subir aos sete céus.
E então a queda foi grande.
Pedro descobriu da pior maneira que Ana não lhe era fiel. Não só não lhe era fiel como não lhe fora honesta desde o inicio.
- És uma puta! – um grito solto no ar.
- Cala-te! Vê-se percebes! É a única maneira de poder pagar os estudos! Sou uma acompanhante de luxo!
- Sim! Uma puta! E eu sou o quê? Um futuro cliente? Um investimento a longo prazo? Foda-se! És ridícula!
- Não! Tu és o Pedro, o Pedro de quem tanto gosto, que me acaricia e que gosta de mim como sou. – entre soluços e lágrimas.
- Gostas? Gosto? Eu amo-te Ana! Mas isto? Isto é demais para mim! Jamais hei de conseguir viver com isto, vê se compreendes!
- Mas é como decidi viver a vida! É como a vou viver! E não vais ser tu nem ninguém a mudar isso!
- Meu Deus! Ana, eu quero muito poder estar contigo e poder amar-te… Mas sabendo que vais estar nos braços de outro homem assim que saíres de ao pé de mim? Saber que esse teu corpo é de outro homem por um preço? Não consigo, simplesmente não consigo.
- Tu não me compreendes Pedro, é a vida que eu decidi tomar, é a minha maneira de pagar os estudos, de poder fazer a minha vida! Desde cedo tive de fazer sacrifícios para poder fazer a minha vida. Eu não tenho pai nem mãe, sim, tenho uma avó que me dá casa, mas não mais que isso.
- Ana! Eu simplesmente não consigo… Ou és tu ou sou eu! Ou seguimos a nossa vida e me respeitas ou então segue a tua vida!
- Está bem Pedro… Está bem… Adeus…
- Adeus? Foda-se! Vai-te embora então sua puta! Fode-te! Tu e todos os teus clientes! Vão todos para o inferno!
É assim a vida, feita de escolhas, escolhas que fazemos por nós e pelos outros. E a verdade é que por vezes damos passos em falso e não temos a humildade para reconhecer que o que fizemos foi errado. Ainda hoje o “Pedro” me diz que se fosse hoje tinha compreendido, ainda hoje amigos do “Pedro” me dizem que a “Ana” foi uma puta e que devia ter pensado neles e não só nela quando começou aquele namoro.
Ainda hoje a vida contínua e a história do “Pedro” continua. Com ou sem “Ana”.
Antes de me despedir dos meus leitores, queria só agradecer ao “Pedro” por me disponibilizar os logs do IRC e por me deixar partilhar um pouco da história dele. Queria também avisar desde já que todos os nomes e nicknames usados neste texto são fictícios. Peço ainda desculpa a todos os leitores que acharam este texto deveras entediante e mais desculpa ainda a todos os que gostaram, pois muito mais poderia ter sido dito sobre a história do “Pedro” e da “Ana” e muito mais ainda há de ser dito.
Monday, June 11, 2007
Um dia normal
Acho que nada melhor que um dia normal para começar um blog anormal.
Anormal não porque possua qualquer deficiência, mas sim porque fuja um tanto ou quanto à normalidade de outros tantos blogs que aí se encontram na net (e daí talvez o erro seja meu e este blog não passe de mais um e a anormalidade advenha da falta de inspiração, engenho e arte do escritor).
Deixando me de devaneios e tentando focar-me um pouco mais no objecto que se encontra em minhas mãos, tomando forma, moldando-se a meu gosto, deparo-me com um blog vazio, um cérebro prenho de idéias, uma falta de inspiração tremenda e uma desmotivação natural de um dia cansativo, ainda que apático, que condenam este mesmo post a ser nada, e nada demais.
Por mais que molde os traços gerais deste texto vejo que não escrevo nada e que o conteúdo de minhas palavras é tão vago quanto o cérebro de tantos leitores que se calhar pararam de ler este mesmo texto ainda na primeira linha. Não os julgo por tal acto, pois acho-o sensato, e quanto àqueles que já chegaram tão longe quanto esta mesma palavra de certo se arrependeram de não o ter feito.
Fruto de uma reflexão espontânea que tive enquanto vivia a vida, nasceu este pequeno bloco de notas, que não passa de um amontoado de folhas, que não passa de um amontado de ideias, que no fim não passam de um amontoado de nada.
Peço desculpa a todos aqueles que queriam ler um texto com piada, com sentimento, com o que quer que fosse, mas por hoje só tenho um pouco de nada para vos dar.
Quem sabe numa próxima vez, de entre esta grande árvore que é a mente humana, brote um doce fruto para vos deliciar.
Anormal não porque possua qualquer deficiência, mas sim porque fuja um tanto ou quanto à normalidade de outros tantos blogs que aí se encontram na net (e daí talvez o erro seja meu e este blog não passe de mais um e a anormalidade advenha da falta de inspiração, engenho e arte do escritor).
Deixando me de devaneios e tentando focar-me um pouco mais no objecto que se encontra em minhas mãos, tomando forma, moldando-se a meu gosto, deparo-me com um blog vazio, um cérebro prenho de idéias, uma falta de inspiração tremenda e uma desmotivação natural de um dia cansativo, ainda que apático, que condenam este mesmo post a ser nada, e nada demais.
Por mais que molde os traços gerais deste texto vejo que não escrevo nada e que o conteúdo de minhas palavras é tão vago quanto o cérebro de tantos leitores que se calhar pararam de ler este mesmo texto ainda na primeira linha. Não os julgo por tal acto, pois acho-o sensato, e quanto àqueles que já chegaram tão longe quanto esta mesma palavra de certo se arrependeram de não o ter feito.
Fruto de uma reflexão espontânea que tive enquanto vivia a vida, nasceu este pequeno bloco de notas, que não passa de um amontoado de folhas, que não passa de um amontado de ideias, que no fim não passam de um amontoado de nada.
Peço desculpa a todos aqueles que queriam ler um texto com piada, com sentimento, com o que quer que fosse, mas por hoje só tenho um pouco de nada para vos dar.
Quem sabe numa próxima vez, de entre esta grande árvore que é a mente humana, brote um doce fruto para vos deliciar.
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